Habitualmente, no léxico nacional, a cada crescimento está associada uma dor. Os dentes do juízo que se mostram e as dores profundas em cada gengiva; os músculos de um miúdo que crescem e as dores displicentes trazidas por cada copo de leite; uma empresa que se desenvolve e os tropeções que a mesma vai dando no caminho por correr sem olhar para o chão. Ainda assim, contrariando o léxico, por aqui essas dores deram lugar a um prazer desoprimido pelo desafio e responsabilidade associados a um processo desta natureza. Sai a dor, entra o gosto pelo caminho a percorrer.

Do meu lado, as últimas seis semanas foram passadas entre a coordenação e a consultoria em alguns dos projetos mais desafiantes que já fiz desde que entrei na wingman, conciliados com a revisão de mais de setecentas candidaturas, oitenta entrevistas, que culminaram, até agora, em nove contratações. O processo ainda está a meio, mas para já, são nove os profissionais incríveis que todos os que nos lêem irão conhecer nas próximas semanas.

O processo não é linear e apesar de haver muitos disparates entre as candidaturas, há também muita gente realmente boa que fica pelo caminho porque, felizmente, o crescimento não é desmedido ou porque, infelizmente, ainda não somos o namoro ideal para alguns deles. No entanto, isto faz com que cada leitura curricular ou conversa em forma de entrevista se torne numa oportunidade para questionarmos o nosso próprio trabalho, aprendermos o que julgávamos já saber e crescer. Por fim, constato que uma das coisas mais valiosas que o meu job description acarreta é a possibilidade de conhecer e trazer para perto de mim os profissionais mais fascinantes que existem no mercado e com eles construir uma cultura.

Porque pelo meio, o que aqui se faz é também um processo de assimilação cultural de backgrounds de todas as áreas, setores, e geografias, que nos vão dar a possibilidade de afinar e certamente a seu tempo reformular a cultura da própria empresa. Trazer visões novas, metodologias que não conhecíamos ou tínhamos medo de experimentar, formas diferentes de melhorar — saber que há sempre pessoas melhores do que nós. Ao mesmo tempo, cada uma das nove pessoas que já entraram, juntamente com as três que temos por selecionar, vão fazer o caminho inverso, assimilando os valores dawingman e a forma independente de trabalhar cada um dos nossos clientes.

Isto porque no fim, a única certeza que vamos manter sempre presente é a de que é no equilíbrio entre a nossa entrega de conhecimento na criação de experiências digitais — da tecnologia às palavras, do negócio à inovação — com o gosto que cada um de nós tem por aprender sobre aviação, mobilidade, energia, futebol, hotelaria, distribuição, retalho e tantos outros, que faz da wingman o que é hoje. Uma agência e consultora digital com o caminho traçado para se tornar cada vez mais sólida naquilo que cria para cada marca. É um lugar-comum, eu sei, mas estamos de facto a ficar cada vez mais fortes. Fiquem para ver.

Pedro Pinto, Managing Director

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