Há oito meses não existiam grandes dúvidas na minha cabeça quanto ao caminho da wingman. Vivemos num mundo de agências, pelo que temos de nos posicionar, moldar e trabalhar como uma. O nosso foco interno deveria estar na flexibilidade e na rapidez em ajustar a nossa forma de trabalhar e o nosso conhecimento às necessidades dos nossos clientes; a nossa projeção externa deveria falar experiência, criação de produtos e criatividade. Ao longo deste período, fui pensando cada vez mais nesta questão da agência vs. consultora, nos benefícios e maleitas de cada uma delas, na expectativa que cada um destes substantivos cria na cabeça do meu consumidor, na cultura que as duas opções criam dentro da empresa. Ao fim de três estações, ajusto a minha postura.

Por um lado, é para mim claro hoje que o cliente procura menos a veia consultiva que esteve na génese da wingman, quando comparando com o período em que se vivia por altura da sua criação. Há 7 anos eram poucos os cargos de Marketing Digital/ Online em Portugal; a necessidade de um parceiro era grande e a nossa diferenciação em auxiliar o core do negócio de cada empresa era uma mais-valia incomparável durante a venda. 

Os tempos passam e hoje em dia as empresas foram gradualmente capacitando-se de especialistas nestas áreas, que formam umas vezes posições, noutras vezes equipas, sempre prontos a fazer mais e melhor pelo seu próprio negócio. A postura oligárquica de um consultor que traz todo o know-how sobre o serviço que presta perde algum do sentido.

No entanto, num mundo que pouco conheço, a sensação que tenho é que a agência continua demasiado preocupada em apresentar movimentos de rasgos estratégicos e continuidade criativa, pondo de lado a presença constante de alguém que não sabendo mais do que o seu interlocutor, pelo menos sabe tanto, misturando um conhecimento técnico e de negócio de áreas complementares mediante a sua experiência e carteira de clientes. A sensação que me chega é de um foco maior em criatividade, no diferente e no prémio, e menos na eficácia, no crescimento estudado e na postura de parceria real que deve existir com cada marca que se trabalha. Estou a generalizar, e como todos os o que o fazem, a falhar na análise por simplicidade e falta de conhecimento, bem o sei. Mas adiante, porque foi este o raciocínio que me levou para onde quero estar.

São oito meses, não é muito, não é nada. Mas ao final deste período, não tenho dúvidas do que tenho dito vezes sem conta ao longo das semanas que agora passam. A maravilha da wingman é a de estar a meio caminho entre a Consultora de Negócio e a Agência Digital. O nosso prazer e curiosidade natural por aprender sobre a engrenagem de cada marca, que faz parte do nosso ADN são o móbil para o nosso core. Uma presença sólida, próxima e focada em resolver problemas de negócio com o que a tecnologia, a inteligência individual de cada um e a criatividade desenvolvida pelo trabalho em equipa permitem nos dias de hoje. Uma vontade desenfiada de a pouco e pouco, continuar a desenvolver as melhores experiências de consumo possíveis, sejam elas relacionadas com a pesquisa, compra ou fidelização. 

É possível que se passem mais três estações e a ideia amadureça um pouco mais. Indiferente, diria eu, desde que a qualidade de serviço e de entrega não saiam prejudicados com isso, ou desde que a equipa que somos hoje não perca a sua identidade por aquilo que a pouco e pouco se transforme para ser. Porque no mundo em que nos posicionamos, com tantos mais estabelecidos que nós, o que importa é crescer da forma que mais interesse àqueles com quem e para quem trabalhamos. Todas as sugestões são bem-vindas. 

Pedro Pinto, Managing Director

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