"The best interface is no interface at all"


«The best interface is no interface at all.[…] I don’t want to focus my energies on an interface. I want to focus on the job».

Esta citação, atribuída à Donald Norman é um pouco o mantra de qualquer UX designer.
Simplificar as interações entre os utilizadores e os sistemas é o nosso desafio diário. No entanto, prescindir totalmente do interface ainda é um luxo que raramente atingimos.

Um estratagema consiste em reduzir as interações, propondo por exemplo opções por defeito que servirão para a maioria dos utilizadores. Por exemplo, pouca gente vai aceder ao interface de configuração do router fornecido pela sua operadora, porque já estará configurado de acordo com as necessidades da maioria dos clientes. 

Outra abordagem é usar a "faculdade de aprendizagem" dos sistemas. O sistema operativo do meu smartphone "lembra-se" qual foi o idioma usei para enviar SMS a cada um dos meus correspondentes. A ferramenta de escrita predictiva já sabe que falo inglês com X e português com Y.

A um nível muito acima, o regulador de temperatura "Nest" não tem interface de programação. Ele auto-programa-se "aprendendo" os hábitos dos habitantes ao longo dos dias e é capaz de detectar se estamos em casa ou não, de modo a adaptar automaticamente a temperatura às circunstâncias.

Este aparelho faz parte da "Internet of things", ou seja da interconexão de dispositivos através da Internet. De momento, só é possível regular a temperatura remotamente usando uma APP, mas podemos imaginar que, graças à geolocalização, ele possa "entender" que estamos de regresso de férias e ligar o aquecimento para que a casa esteja quente quando chegarmos.

A "Internet of Things", torna os objetos "inteligentes", capazes de adaptarem-se automaticamente às nossas necessidades com base das informações recolhidas sobre nós, limitando assim o uso de interfaces. No entanto com uma contrapartida — a perda potencial da privacidade e da protecção de dados pessoais.

Didier Hochart, UX Designer

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