Jakob Nielsen é conhecido como o guru da usabilidade por várias razões. Uma delas é ter enunciado as 10 heurísticas mais famosas entre os profissionais da User Experience - as 10 heurísticas de Nielsen ou 10 Princípios Gerais para o Design de Interfaces. Todos esses princípios fazem sentido nesta rubrica. O difícil é decidir por onde começar.

Eu vou começar por uma heurística que acho especialmente atual - a proximidade entre o sistema e o mundo real (tradução livre a partir do Inglês "match between system and the real world"). O que este princípio diz é que "o sistema deve falar a língua do utilizador", o que significa que não deve utilizar termos orientados para o próprio sistema mas sim termos e conceitos que são familiares ao utilizador. O sistema deve ainda seguir convenções normais do ponto de vista do utilizador e a informação deve aparecer de forma que parece natural e lógica para o utilizador. 

Ora, esta formulação é obviamente subjetiva, porque o que natural e lógico para um utilizador pode não o ser para outro, e é essa uma das razões pelas quais o trabalho de um UX designer faz sentido.

Este princípio explica, por exemplo, o facto de termos um lixo ou reciclagem nos nossos computadores, um bloco de notas, ou marcadores no nosso browser da internet. Todas estas metáforas resultam de esforços de aproximação àquilo que nos é familiar.

Eu disse que este princípio era especialmente atual porque é um dos argumentos usados pelas vozes anti-flat design. Afinal, uma das coisas das quais o flat design se afasta é da semelhança entre o aspeto do sistema e as regras tridimensionais do mundo real. As sombras desaparecem para fazer desaparecer a noção de relevo e os elementos como botões passar a existir enquanto botões e não como metáforas - a proximidade entre sistema e mundo real diminui. No entanto, o que importa é a naturalidade e lógica para o utilizador. Hoje em dia, a linguagem de certos sistemas está mais próxima do mundo real, pelo que um botão não representar uma metáfora que vemos no mundo analógico não o torna necessariamente menos natural. Garantir que a informação é fácil de encontrar e que as funcionalidades disponíveis são compreensíveis não passa necessariamente por ter uma interface tridimensional.

Maura Bouça, UX Designer

Comment