Se queremos que o público torça pela nossa personagem principal durante os 90 minutos do filme, então teremos que fazer algo no primeiro ato da história para assegurar que isso acontece. Alguns gurus do guionismo (Blake Snyder em particular) salientam este ponto acima de tudo - e por uma boa razão. Sem um personagem para apoiar, a história não tem nada para oferecer e o público precisa de se identificar com alguém logo no início . Se os personagens forem geralmente desagradáveis (e até podemos pensar que são muito interessantes), não serão fortes o suficiente para sustentar uma história. 

Trabalhar um personagem de que as pessoas gostem pode ser feito de infinitas formas - diálogo, ações, humor, etc. A mais fácil? Mostrar altruísmo logo no início, estabelecendo-o como uma força positiva. Mas mais interessante é fazê-lo no contexto do universo da história, não sendo obrigatório "pintá-lo" como uma pessoa perfeita. Imaginem que são argumentistas d' Os Sopranos: podem fazer com que o público torça pelo Tony Soprano, ao mostrar o valor que ele coloca na família e a vulnerabilidade de atravessar uma depressão. Numa história diferente, Tony Soprano não seria mais do que um careca anafado sem qualidades que lhe oferecessem redenção. Mas n'Os Sopranos, está rodeado de personagens piores que ele - pode assim mostrar ao público capacidade de elevação.

Celso Moura, Community Manager

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