A nuvem de som muda de forma


Desde 2008 que o SoundCloud tem sido um dos catalisadores da revolução do streaming, permitindo gratuitamente a divulgação em massa de música criada pelos próprios utilizadores (com opção de utilizador-pagador para opções extra). A plataforma atingiu enorme popularidade junto de fãs, músicos amadores e também profissionais — artistas como a cantora pop Lorde tornaram-se famosos após divulgarem as suas canções através do site. Existem utilizadores do SoundCloud em todo o planeta — e fora dele

No entanto, persistiam problemas relacionados com direitos de autor (conteúdos não-autorizados, inexistência de compensação para músicos), falta de sustentabilidade financeira e concorrência crescente de plataformas como o Spotify, Deezer e o Youtube. 

O ano de 2014 ficou então marcado por uma mudança de fundo: o SoundCloud deixou de ser gratuito. O “Soundcloud Player”, mesmo embebido em sites exteriores, passa a incluir anúncios. É possível pagar uma quota para evitar a publicidade e haverá um estatuto (pago) de “utilizador-criador” para quem desejar rentabilizar as obras em vez de as disponibilizar livremente. 

O site já estabeleceu parcerias com gigantes como a Warner Group para a distribuição oficial de música e anunciou investimentos de peso. O serviço aproxima-se assim de plataformas como o Spotify, confirmando a tendência geral para um distanciamento do “amadorismo” e o cimentar do streaming enquanto modelo comercial de distribuição de conteúdos.

André Nascimento
Copywriter e Sound Designer

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