Vem aí um novo Fairphone


Todos os dias sinto que a minha preguiça cheia de boa vontade fica um bom quilómetro atrás do meu real eu conformista. Passo a explicar.

O meu esforço diário para ajustar aquilo que eu sei que devia estar a fazer — ler mais os artigos em vez de passar os olhos por eles, comprar menos coisas e por um preço mais justo, batalhar ingloriamente contra o paradoxo da escolha, armazenar a água do banho antes de aquecida e por aí fora infinitamente — àquilo que eu acabo por fazer 90% das vezes anda sempre aquém.

Entre essa interminável lista de coisas encontra-se o Fairphone, objeto cuja devoção não concretizada já me valeu conversas como:

— Então mas já encomendaste o teu Fairphone?

— Não, mas já fiz like na página e estou a par das novidades.

— Que moral tens tu para pregar acerca da sustentabilidade quando és a primeira a prevaricar?

— Porque o primeiro passo é sabermos o mal que andamos a fazer às pessoas e ao planeta.

— Mas para que me serve um telemóvel que polui menos e explora menos algumas pessoas que nem sei onde vivem, se que tenho na loja da minha rua um telemóvel mais avançado, mais bonito e até mais barato?

 

Normalmente, aqui perco-me no desespero de não ter talento para argumentar que... há certas coisas mais importantes do que outras coisas. (!)

Alegremo-nos, porém, pois temos ainda tempo para marinar mais um pouco na difícil e lenta luta por um mundo mais decente, ainda que totalmente imperfeito. A primeira edição do Fairphone esgotou e vem aí uma segunda versão no verão de 2015.

Viva o Fairphone!

 

Joana Ribeiro, Copywriter

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