É oficial: o Apple Music já está disponível em mais de cem países – Portugal incluído – e disponibiliza cerca de 30 milhões de músicas. Tanto como o Spotify. “Toma lá!”, rejubilou Tim Cook.

Mas calma, não abram já o Moet & Chandon: após 3 meses de música gratuita a opção passa por ficarmos 9,99 euros mais pobres mensalmente. Estudem as melhores opções, é o conselho que aqui deixo.

Mas, caro leitor, não é sobre novidades nos serviços de streaming de música que hoje pretendo escrever. Sobre isso, já aqui desenvolvemos uma prosa interessante muito recentemente.

O que me motiva a gastar alguma tinta do meu teclado tem que ver com a saudade de consumir um álbum do princípio ao fim. Saudade de escrever os nomes das músicas naquela cassete TDK de 90 minutos. E saber, também, a ordem de todos os temas que compõem o disco. Saudade, até, de melhorar a caligrafia através desse exercício.

Saudade de detestar Bon Jovi. E Duran Duran. E A-ha. Tudo por causa daqueles posters da Bravo que forravam as paredes do meu quarto. E saudade de culpar a minha irmã por isso. E saudade da minha mãe me repreender com um: “não tens idade para ter um pin dos Scorpions no blusão de ganga”. E de ver, logo de seguida, o meu irmão carregar orgulhosamente pins dos Depeche Mode e The Cure. Tudo isto nas décadas de 80 e 90. Tudo isto num T3 suburbano. Em Massamá.

Não culpo a tecnologia de ter essa saudade. Nem os Spotify, Apple Music e Tidal da vida. Sobre isso, também já aqui falámos. E, de certa forma, até concordo.

Mas poças: tenho saudade de ouvir um álbum inteiro, escrever os nomes das suas músicas – antecedidas de um número –, e melhorar a caligrafia com isso. Só não tenho saudades de Massamá.

Pronto, já desabafei. Agora vou experimentar o Apple Music.

Ângelo Delgado, Copywriter

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