Em 2012, a produção de lixo eletrónico mundial estava estimada em 50 milhões de toneladas. Deste valor, apenas 15 a 20% era reciclado. Uma via possível para contrariar este fenómeno passa por um regresso à modularidade. 

Um regresso, sim! Porque, não há muito tempo, poderíamos, facilmente, substituir uma lâmpada de ótica do automóvel, uma resistência da torradeira ou uma bateria do telemóvel (sim, claro, podemos também não comprar smartphones da Apple…).

Mas, já que abordamos o tema, e sendo uma indústria que gera imenso lixo eletrónico, convém referir que alguns projetos visam desenvolver dispositivos em que qualquer componente principal — ecrã, processador, lente, entre outros — possa ser facilmente substituído em caso de avaria.

É o caso do projeto Phonebloks que, em 2012, começou a dar visibilidade à ideia. O conceito cresceu e beneficiou dos meios da Motorola e agora da Google, através do Projectara. Um protótipo do projeto foi, inclusive, apresentado no Google IO 2015

Com a modularidade, não só o planeta ganha, como também os utilizadores. Desta forma, é possível alterar as características — memória, potência, lente — do seu smartphone sem ter necessariamente de trocar de dispositivo.

Este projeto pretende ainda permitir, a qualquer empresa do ramo, produzir módulos especializados, facilitando, assim, a personalização do dispositivo em função das necessidades de cada um.

A imaginação é, pois, o limite: um micro-laboratório de análise sanguínea para profissionais de medicina no terreno ou uma caixa de pílulas com alarme integrado. Se estiver inspirado, um kit de desenvolvimento está, já, disponível para o público.

Ainda estamos longe de uma comercialização, mas com a ajuda de um player como a Google, é possível começarmos a acreditar que será possível ter um dispositivo destes nas nossas mãos em breve.

Didier Hochart, Senior UX Designer

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