Parece conversa de gente antiga, mas... quando eu era mais nova, as pobres crianças que tinham o infortúnio de usar óculos eram quase sempre alvo de chacota na escola. “Olh’ó caixa-de-óculos!”, gozavam os petizes cujo ADN permitiu que evitassem recorrer a um bom par de lentes para poderem ver as letras mais miúdas no quadro ou nos livros.

Anos passaram e parece que, agora, os óculos estão na moda e quem os usa passou a ser a “pessoa mais cool” que conhecemos. E não estou a falar daqueles que podemos comprar “dois pelo preço de um” numa das várias óticas nacionais.

Estou a falar daqueles que nos levam para o interior de um videojogo, com os quais conseguimos fazer video-chamadas ou que captam pequenos momentos da nossa vida.

Primeiro foi a Google, com os seus Google Glass, um projeto lançado em 2013 e que consistia nuns óculos que permitiam fazer chamadas de vídeo, tirar fotos, aceder a mapas e à previsão do tempo, etc.

Chegou a ser a sensação do momento, mas, tal como o garoto que é gozado na escola, entrou em descrédito junto da comunidade techie e a Google pôs em stand-by a ideia de mass market do produto para concentrar-se num uso mais empresarial. Pelo menos por enquanto...

Mas dizem que “os olhos são a janela da alma” e, aparentemente, todos querem a alma cheia de imagens realistas de mundos virtuais. Eis que surgem os óculos de Realidade Virtual!

Quem visitou o Web Summit deste ano viu inúmeros stands que convidavam os visitantes a fazer a viagem, quer pelo cockpit do novo A330 da TAP Portugal, como pelos novos conteúdos virtuais da Discovery.

E, ao contrário dos Google Glass, por algumas dezenas de euros já consegue adquirir os seus numa loja. Sony, Samsung e uma série de outras marcas já aderiram à moda.

E qual o próximo passo?
Parece que já o demos. Esta semana, o Snapchat começou a vender nos Estados Unidos os primeiros exemplares dos seus óculos “Spectacles”, os quais permitem filmar vídeos de curta duração sem recurso ao smartphone.

Depois dos videojogos e da chegada agora às redes sociais, o que se seguirá?

Marlene Marques, Redatora

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