Aprender a simplificar na era da técnica


No trabalho diário em UX um dos grandes objetivos é tornar os elementos trabalhados tão simples que possam ser facilmente entendidos por qualquer utilizador. No entanto, essa simplicidade na maior parte das vezes é difícil de alcançar. Como é que construímos algo simples? O que é simples para mim, é simples para todos? O próprio conceito de simplicidade é, para mim, muito vago e relativo. 

A pausa das férias permitiu-me retomar algumas leituras. Entre elas, o livro Simple and Usable, de Giles Colborne, que explora algumas estratégias de simplificação que podem ser aplicadas no trabalho de todos os dias. 

Uma das primeiras dicas do autor é “Know yourself” e este é, também, um dos primeiros passos que tomamos quando começamos um trabalho com um novo cliente. Um dos maiores desafios no contacto com um grande projeto é ter a capacidade de perceber quais os elementos que são fundamentais e quais as opções que podem (e devem!) ser deixadas de fora. Estas decisões são difíceis de tomar, sobretudo quando nesse projeto temos que dar resposta às diferentes necessidades e objetivos de todos os departamentos envolvidos. Isto é algo que só podemos fazer quando conhecemos profundamente o negócio do nosso cliente. 

É fundamental ter visibilidade do impacto que terá cada decisão e da forma como poderão ser definidas as prioridades. E isto não é fácil. Para o cliente, tudo é importante. Segundo o autor, uma boa forma de começar a definir estas prioridades é confrontar o nível de importância de cada elemento com o nível de dificuldade que este terá em ser implementado, atribuindo pontos a cada um. Os elementos que totalizarem mais pontos serão os elementos mais relevantes a considerar.

Só por si, não é esta técnica que nos permitirá tornar o produto final o mais simples possível, no entanto, reforça a ideia de que só com um conhecimento profundo do negócio, é que conseguiremos simplificar o produto, sem que esta simplificação afete os objetivos do cliente.

Para mais ideias sobre a simplificação sugiro que dêem uma vista de olhos pelo livro. Podem começar por pesquisá-lo no Google. É simples!

Ana Pinho, UX Designer

Comment