Arriscar, pelo seguro.


À primeira vista, os seguros não serão a indústria mais apelativa do mundo, pelo menos do ponto de vista do Content Marketing. Para muitos de nós, a palavra “seguros” traz à memória dois momentos: o pagamento da mensalidade e o momento em que um imprevisto acontece. 

Sejamos sinceros, quando comparado com mundo das apólices, coberturas, percentagens, condições e alíneas contratuais, o código civil ganha a criatividade de um livro de David Foster Wallace.

Estaremos perante um caso perdido para qualquer estratégia de Content Marketing? O que fazer com uma indústria aborrecida que não tem hipótese de concorrer com outras atividades que têm a sorte de serem “cool” por natureza?

Faz sentido? Talvez, mas não é por isso que é verdade. Existem setores onde o potencial para o Content Marketing é mais óbvio, mas como disse alguém, neste caso alguém chamado Neil Patel: “não existe uma indústria aborrecida, apenas existem escritores que não são criativos”. 

Além desta afirmação audaciosa, a qual vou tentar suportar com todas as minhas forças, há uma série de factos que nos podem ajudar a desmistificar este olhar negativo sobre os seguros. 

Primeiro que tudo, as pessoas querem saber tudo sobre seguros. É algo que faz parte da vida de todos nós. Não é por acaso que “Insurance” é dos termos mais caros do Google Adwords e as keywords que envolvem temas como acidentes de automóvel, seguros e inundações estão entre as mais procuradas e, logo, mais caras. 

O problema que se tem verificado com este setor, é que a maioria do conteúdo encontrado é essencialmente informativo, explicativo e aborrecido. Claro que é importante clarificar a natureza de cada produto, mas em alguns casos, perdoem-me a redundância, a vida facilita-nos a vida. Porquê? Porque quem tem um automóvel sabe que precisa de ter um seguro e vai à procura dessa informação. Quem tem uma casa, sabe que precisa de ter um seguro para a casa, etc.. 

Nestes casos, porque não pouparmo-nos ao trabalho inglório de chover no molhado e tentarmos procurar um terreno fértil, inexplorado, onde podem crescer belas árvores de fruto? Porque não dar conselhos mais profundos, como o que fazer quando passa um tornado ou apresentar o roteiro de automóvel para o Algarve para quem não tem pressa e quer apreciar a paisagem? São temas que envolvem o nosso carro e a nossa casa, mas dão outro valor ao conteúdo.

Estes conselhos podem servir para outras indústrias, mas existem claras tendências do Content Marketing que podem ser úteis à indústria seguradora. Apenas alguns exemplos: 

Conteúdo Educativo

Este ponto devia ser uma prioridade: oferecer conteúdo educativo e não apenas informativo. As companhias conhecem bem o seu cliente e sabem que problemas ele está a enfrentar — dentro e fora da área dos seguros. Se temos um seguro de viagens, porque não dar todo o tipo de conselhos sobre viagens? Se temos seguros automóveis, porque não dar conselhos de mecânica ou de condução? Se temos seguros para casas porque não mostrar como podem melhorar o isolamento da casa? Com diz Neil Patel, na sua segunda lição sobre Bom Content Marketing, temos de resolver problemas

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Trabalhar com websites já habituados a criar conteúdo para ser lido na internet, com o benefício de já existir uma audiência definida, pode ser uma excelente opção. Empresas com a State Farm ou a Esurance já seguiram este caminho com o famoso site BuzzFeed, resultando em textos como 10 Car Accessories That You Never Knew You Needed ou 12 DIY Hacks To Create Your Dream Apartment.

Microsites

Algumas seguradoras apostam na criação de sites de branded content, que vivem fora da esfera (e URL) do website oficial da marca. Alguns dos melhores exemplos são a plataforma Bring Your Challenges da Prudential ou a “We Dare You To Share” da United Healthcare

Em conclusão, chegou a altura das seguradoras mostrarem um lado mais humano e criarem conteúdo que as ligue às pessoas, de uma forma mais profunda, pessoal, emocional e, porque não, divertida. Não há razão para não tentar ir mais longe e arriscar...pelos seguros. 

Jorge Simões, Copywriter

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