Chego à secretária, e antes de começar, ligo o computador, sirvo um café e abro uma playlist. As músicas aparecem em quantidades incontáveis, fica difícil a escolha. Nesse momento olho para a rua, penso no tempo e no meu estado de espírito, e quase instintivamente, escolho uma música, um artista ou um álbum que tenho andado a cantarolar.

Começo a escrever sobre a música e os seus benefícios, sobre sons e letras, sobre géneros mais e menos ouvidos. Neste processo, nem dou conta que eu própria estou a ser influenciada por isto mesmo. Pela música.

A música gera uma série de discussões e há muito que se debate sobre a sua relação e a produtividade, na escrita, numa linha de montagem, numa superfície comercial, em tanto outros espaços e tempos.

Para todas as pessoas que lêem este artigo nos seus computadores, nos seus tablets, nos seus smartphones... Já pararam para olhar em redor, ver onde estão, no escritório, em casa, no autocarro, se está barulho ou silencioso?

Pois é, segundo vários artigos todos estes cenários regulam a nossa produtividade na tarefa que estamos a desempenhar. A música é como um decorador do espaço e do tempo.

Mas a grande pergunta é se a música ajuda à produtividade.

Segundo um artigo de Gregory Ciotti , “How music affects your produtivity” (2015), a música é como um otimizador do aborrecido, um “Optimize the Boring” (2015). Pensamos que a nossa pergunta ficaria respondida com este adjetivo bem simpático. Mas não.

Já pensou que quando a tarefa a desempenhar pede mais de nós, exige mais concentração e articulações, a música que ouvimos terá de ser calma, ou mais familiar? É verdade — não só a música apazigua o aborrecido como a imersão que a tarefa exige está diretamente associada à escolha de música que fazemos.

Para a pesquisa de artigos sobre este assunto, optei pelo silêncio, a seguir para a elaboração da estrutura, passei para uma música um tanto familiar, com letra fácil de cantarolar, e neste momento começo a ouvir uma música mais descontraída que me faz voar no tempo e lembrar-me do momento em que comecei a apreciar música e artistas. Todo este processo nos parece redutor e quase que automático, não é verdade? Mas tente fazer o exercício ao longo do dia e conhecer o seu espírito musical para poder tirar partido desta ferramenta espetacular, que é a música.

Também as sensações que são despertadas ao ouvir música aumentam a nossa produtividade, a que nos vem logo à mente não será a felicidade? Quem nunca gostou de terminar uma tarefa ao som de uma música bem alegre? Não sabe a vitória quando isso acontece? No entanto quando essa música tem uma letra que nos agrada bastante e nos entusiasma, começamos a cantar e o nosso cérebro ativa neurónios que nos distraem da tarefa inicial. O melhor mesmo é optar por uma música bem familiar.

Agora, para rever o que escrevi, opto por uma música de Bach, sempre me ajudou a rever ortografia e ideias escritas, e não é por acaso que tal acontece . Segundo Ciotti, a música do período barroco, entre tantos outros períodos da música clássica, é aquela que mais aumenta a produtividade.

Às vezes nada melhor do que uma música para fugirmos dos sons do dia-a-dia, ou do barulho no escritório, mas não se esqueça... O silêncio é de ouro!

 

Andreia Marques, Junior UX Designer

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