Esta semana deparei-me com um artigo que me pôs a pensar. Pôs-me a pensar sobre as minhas escolhas, sobre a forma como as tomo e sobre o caminho que percorro para lá chegar.

Hoje em dia, apoiamo-nos muito na tecnologia, e nos nossos smartphones em particular, para tomar decisões. 

Existem milhares de aplicações que podemos instalar, cada uma com o seu propósito bem delineado, para nos facilitar alguma tarefa, ou mesmo para criar uma necessidade que anteriormente não tínhamos, ou pensávamos não ter. A verdade é que os smartphones nos vieram dar um sentido quase de omnipotência e sapiência, podendo ter o mundo todo ao nosso alcance, estejamos onde estivermos.

Mas, voltando ao tema da escolha, que foi o que me trouxe aqui, será que a nossa vida ficou facilitada com estas criaturas tecnologicamente avançadas?

De acordo com um estudo da Flurry Analitics, 90% do tempo que passamos nos nossos telemóveis, é em apps, e passamos em média 3 horas e 40 minutos nos telemóveis, sem contar com chamadas. Sem dúvida que os telemóveis têm um papel muito importante no nosso dia-a-dia.

No outro dia, estava à procura de um restaurante onde ir jantar com um grupo de amigos, e como costumo fazer, fui procurar à Zomato. A Zomato é uma rede social para restaurantes muito útil, da qual dependo bastante (confesso que está fora do meu controlo). Enquanto procurava, houve um ou dois restaurantes que me chamaram a atenção, pelas avaliações e comentários, algo que valorizo muito. Quando partilhei esta informação com a minha amiga que ia fazer a reserva e ela me disse que já tinha marcado outro restaurante — fui logo pesquisá-lo. Ao ver que a pontuação era bastante baixa, a minha primeira reação foi negativa. Parei para pensar um pouco e reparei no ridículo daquele momento. Falei com ela, e quando ela me disse que era habitué daquele local e que era realmente muito bom, desliguei imediatamente o meu modo zombie e aceitei a decisão. Resultado: um jantar magnífico num local que nunca teria descoberto sozinha!

Depois disso, pus-me a pensar e reparei o quanto dependo no dia-a-dia desse tipo de aplicações, e como me deixo facilmente influenciar, muitas vezes sem reparar.

Por vezes, quase nos esquecemos do objetivo inicial, que neste caso era encontrar um lugar simpático e interessante para jantar com amigos que não via há algum tempo, e focamo-nos noutros objetivos, como encontrar o “melhor” lugar, ou o lugar mais perto, ou mesmo o lugar mais popular, formatados inconscientemente pelos filtros destas apps. É claro que o contrário também acontece: se não fosse a aplicação, nunca teríamos descoberto muitos lugares fantásticos em sítios por onde nunca passamos. 

Mas perde-se a espontaneidade, a descoberta por acaso, aquele abordar da pessoa na rua para pedir uma sugestão local. Sentimos falta de explorar, de nos perdermos pela rua e de tropeçarmos em algo desconhecido. Temos quase sempre o GPS e o mundo na palma da mão, e muitas vezes deixamos que essa maravilha tecnológica decida por nós e esquecemo-nos de que podemos ser nós a escolher o que queremos fazer. É claro que estou a generalizar, mas muitos de nós já fizemos isto, sem sequer nos apercebermos.

Um estudo da SinglePlatform e Chadwick Martin Bailey de 2013 concluiu que 81% dos consumidores procuram restaurantes através de apps e que 75% toma decisões com base nestes resultados!

Mas calma, não estou a dizer que estas aplicações nos manipulam e controlam. Nada disso. Não é esse o objetivo da tecnologia, e somos nós que devemos estar conscientes e usá-la para nos ajudar a descobrir o mundo e não para encontrar apenas aquilo que já foi descoberto.
Se não estivermos atentos, teremos a tendência de ir todos aos mesmos lugares, conhecer as mesmas pessoas e consumir a mesma informação.

Vamos deixar o telemóvel em casa este fim de semana e ver o que acontece? Eu vou tentar, nem que seja só por uma tarde!

Marta Ferreirinha, Copywriter

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