O Meio (do caos) e a Mensagem (no chat)


Nos dias que correm todos somos “storytellers”, em inglês, porque um contador de histórias não usa do mesmo requinte. Todos queremos contar histórias, uma ou várias, captar o interesse do público, emocionar o target, converter a audiência. 

De facto, nós adoramos histórias. Ou mais que do isso. Talvez, além de ser um animal político, o homem seja também um animal histórico ou narrativo. Desde tempos imemoráveis que contamos histórias a nós próprios, verdadeiras e fantasiosas, ao ponto de algumas terem resistido até hoje sem provas da sua veracidade ou falsidade. 

É por isso que marcas, marketeers, produtos e serviços gastam tempo e recursos na construção meticulosa de obras narrativas. É também por isso que os meios digitais rapidamente (e naturalmente) entraram no jogo, ao ponto de fazerem nascer novos tipos de contos — os contos digitais — onde a linearidade é interrompida pelos saltos que se dão de formato em formato, de plataforma em plataforma, de rede social em rede social.

Se acham que o autor do artigo está a desdenhar desta retórica, desenganem-se. Há muito pouco tempo, esta ideia da BBC Media Action voltou a mostrar-nos o poder de uma história, principalmente quando a sabemos contar.  

De um lado, a mensagem, uma história poderosa, de sofrimento, de sobrevivência, de humanidade e da falta dela.  

Do outro, o meio, um smartphone, as aplicações que todos utilizamos e que nos aproximam de uma realidade distante como poucas tecnologias o fizeram anteriormente. 

Não me interessa muito saber qual determina qual. Todos percebemos a narrativa. Todos sentimos o meio. Porque há histórias e histórias. 

Jorge Simões, Copywriter / Social Media Manager

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