Mas o que é afinal o Zero UI? Sempre que penso ou utilizo um User Interface (UI), tenho sempre presente e tomo como garantido um dispositivo e uma superfície intermediária visual com a qual interajo, para efetuar ações, com vista a atingir um ou vários objetivos.

Com a emergência da Internet of Things (IoT), em que as “coisas” que nos rodeiam (dispositivos, máquinas, a nossa casa, o automóvel, entre outros objetos) têm o potencial de se interconectar e ligar à internet, deparamo-nos com situações em que se aplica um novo paradigma de interfaces, que implica em certos casos a ausência total de interface tal como o conhecemos atualmente. Essas “coisas” interligadas com recurso a sensores, geram grandes quantidades de informação contextual do meio em que estão inseridos, disponibilizando experiências integradas significativamente interativas.

Estas experiências ricas incluem uma maior integração direta com a tecnologia em que a barreira intermediária visual desaparece, transformando-se em interações mais naturais com base nos nossos comportamentos, gestos, háptica e voz. Isto será possível assim que as “coisas”, através de níveis cada vez mais elevados de inteligência artificial e integração subtil no meio envolvente, compreendam o nosso mundo natural, formas de comunicação e se adaptem às situações humanas.

A redução do GUI (Graphic User Interface) e introdução do conceito de Zero UI traz consigo um ênfase maior no desenho do UX, pois é necessário focar-se de modo abrangente na compreensão da vivência humana, o que pretendemos alcançar, o meio e o contexto, como utilizamos os objetos que nos rodeiam – em suma compreender holisticamente a experiência humana – e através da tecnologia disponibilizar serviços úteis com uma experiência o mais semelhante possível aos processos naturais. 

Celso Lopes, UX Designer

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