Quando, em 1997, a Netflix foi fundada, estava longe de ser o gigante digital de streaming que é hoje. Começou por ser um serviço de entrega de DVDs pelo correio e hoje é uma extensa biblioteca online de filmes e séries que faz tremer os maiores estúdios de hollywood e estações televisivas.

Com cerca de 93 milhões de subscritores e presença em quase todos os países do planeta — a China, Síria, Coreia do Norte e região da Crimeia estão fora da lista — o poder da Netflix nunca foi tão grande.

A sua aposta nos conteúdos originais tem sido grande e a prova disso são os cerca de 5 biliões de dólares investidos em 2016. O seu primeiro conteúdo original foi a aclamada série House of Cards (2013) e o seu primeiro filme foi o Beasts of No Nation (2015). Pondo de lado o seu sucesso comercial (a Netflix não revela a audiência das suas séries), a qualidade dos seus conteúdos originais é grande. O facto de eles financiarem, produzirem e distribuírem os seus conteúdos na sua própria plataforma, põe-lhes na mão a faca e o queijo com um valor aproximado de 8,83 biliões de dólares em receitas.

Mas se por um lado possibilita a criação de conteúdos completamente originais que muito dificilmente seriam produzidos nos grandes estúdios, por outro abre as suas portas a um buffet de fast food cinematográfico, que nos disponibiliza séries inteiras num só dia e retira importância à experiência, noção romântica e espetacular da sala de cinema.

Estará a Netflix apenas a dar ao seu utilizador uma maior opção de escolha de conteúdos ou estará o seu modelo de negócio a sangrar o cinema e a televisão até ao ponto de não retorno?

Diogo Coito, Videographer & Motion Designer

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