Por esta altura, já todos estamos (à partida) familiarizados com o termo clickbait. Para os mais info-excluídos, o mesmo refere-se a conteúdo cujo propósito é atrair o maior número de visitantes para uma determinada página, ainda que em deterimento da própria qualidade ou relevância da mesma. 

O clickbait resulta (e continuará a resultar) devido a um número de condições psicológicas, tais como o papel das emoções e o seu impacto na nossa capacidade de decisão ou, por exemplo, o desconforto cognitivo causado pela falta de informação. Mesmo tendo isto em conta, fazemos tudo para o contrariar.

Numa era em que os feeds “sabotam” constantemente a nossa capacidade de decisão e nos fazem carregar em títulos enganadores de notícias sobre temas, cujos mesmos, provavelmente, nem teríamos interesse em primeiro lugar, uma livraria aproveitou a fragilidade emocional das pessoas para fomentar a cultura de leitura.

A ideia é simples e foi executada pela livraria independente The Wild Detectives em Dallas, no Texas. Para celebrar o “National Read a Book Day”, lançaram uma série de posts na sua página de Facebook com títulos apelativos que, em vez de levarem as pessoas para artigos com informação chocante (e, provavelmente, irrelevante), as levavam para um artigo no Medium que continha um clássico literário na íntegra.

A esta ideia deu-se o nome de “Litbaits” e tudo é possível graças ao facto de os livros partilhados se encontrarem em domínio público, o que faz com o que possam ser difundidos online, na íntegra e sem qualquer custo.

O resultado? Bom o suficiente para aumentar em 150% o engagement dos seus posts e em 14,000% (sim, catorze mil!) o tráfego para o site.

O vídeo que resume a campanha termina com a frase “You fell for the bait, now fall for the book”, que sumariza bem o objetivo da mesma - relembrar às pessoas que existem coisas mais interessantes para ler do que artigos “clickbaity” com muito pouca informação útil.

Será que, neste caso, os fins justificam os meios? Será o clickbait desculpável quando utilizado para causas nobres? A internet parece crer que sim e, se está na internet, é porque é verdade.

Tomás Monteiro, Community Manager

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