“Antes o marketing era um desafio criativo, mas agora tornou-se um desafio de dados”, esta afirmação de Philip Mehl, ex-diretor de Marketing da EMEA, leva-nos a um ponto interessante: as marcas focam-se nos consumidores e estão a deixar de lado a parte criativa. A inundação de conteúdos de marcas em todos os canais foi responsável por reproduzir essa barreira da criatividade e deixar morrer a arte de ter impacto.

As marcas de hoje competem, principalmente, em quão bem podem ter como alvo os consumidores, e não a qualidade das suas ideias. Será que a automação digital está a acabar com a criatividade gerada pelo homem?

Para responder a isto, enquanto consumidor, fiz este exercício: pensei num anúncio mais antigo, outro recente e depois comparei. De imediato lembrei-me do anúncio da Nescafé e da Mokambo, pelo cuidado que tiveram na criatividade do anúncio e associá-lo à marca. Quanto a um recente, lembrei-me do anúncio dos 90 anos da Super Bock, mas provavelmente daqui a uns meses não me vou lembrar deste porque é igual a tantos outros com a temática: amizade e festas, ponto, ficamos por aí. Quantos anúncios já vimos com esta temática? Muitos, pois é!

Será que ainda vamos a tempo de encontrar um equilíbrio? Dada a multiplicidade de canais de media voltados para o consumidor, é claro que as marcas estão a competir primeiro com a rapidez, mas não podem esquecer de atingir os objetivos com a mensagem correta para criar empatia. E como é que se consegue? Lá está, com a criatividade que não pode estar em declínio. Apenas as marcas que conseguem obter o equilíbrio certo serão aquelas que prosperam no futuro.

Catarina Rodrigues, Copywriter

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