Fotografia. A palavra nasce do grego phosgraphein, que significa “marcar a luz”, “registrar a luz” ou “desenhar na luz”. Se pensarmos nas técnicas antecessoras ao conhecido Photoshop, que exigiam uma perícia técnica com pincéis de retoque, lupas, tubos de retoque fotográfico com tinta cinzenta, rolos, e algodão absorvente - tudo isto aplicado com precisão de cirurgião -, e as compararmos aos shortcuts de uma, duas ou três teclas, ou à caneta sem tinta capaz das manipulações ou ilustrações mais incríveis, apreciamos de forma quase perplexa o avanço tecnológico nascido do avanço da mente humana.

Exemplo disso é a sinergia entre a precisão dos números e a (im)perfeição da Natureza. Quatro investigadores da Universidade Cornell em Nova Iorque, aliaram-se à Adobe e desenvolveram algo que ajudará imensos fotógrafos, designers e editores. Um algoritmo que permite transmutar qualquer imagem, ajustando cores e luz, de uma foto para a outra, explicado no entitulado “Deep Photo Style Transfer”.

Quando apresentado ao algoritmo uma imagem com uma certa qualidade de luz e cor, este transfere-a para qualquer outra imagem à escolha de quem pretende transformá-la. E fá-lo de maneira exímia. O estado do tempo, a estação e a altura do dia, são pontos essenciais na composição, no sucesso ou insucesso de uma fotografia. Agora, mesmo que tenhamos a pouca sorte de perder aquele pôr do sol sob aquele edifício, podemos encontrar uma foto com luz semelhante à que idealizamos, e transferi-la para outro cenário. Não tardará certamente a vermos esta descoberta aplicada ao Photoshop como plug-in ou até como um programa por si só, e a explorarmos esta ferramenta de modo a obter um workflow bem mais simplificado.

Um grande contraste com os tempos da fotografia de outrora, que vão mudando do dia para a noite. Literalmente.

Ana Alheiro, Júnior Visual Designer

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