Para quem não perde um episódio das Kardashians, o nome Kendall Jenner não é de todo desconhecido ao vosso ouvido. Ainda para mais quando a segunda benjamim da família é uma das modelos mais requisitadas e famosas do momento.

Neste mundo onde celebridades e marcas se juntam para convencer o comum dos mortais (como nós, sim) a entrar para uma esfera de popularidade e glamour, é natural que marcas como a Pepsi se esforcem para se associar a estrelas e influencers como Kendall Jenner. 

Na teoria, tinha tudo para dar certo. Até que isto aconteceu. Uma tentativa de posicionar Kendall como a nova cara da bebida (uma Cindy Crawford dos tempos modernos) foi o suficiente para obrigar a marca a retirar o malfadado anúncio de quem ninguém gostou. 

Com a intenção de passar uma mensagem de paz, unidade e compreensão, a Pepsi apropriou-se de movimentos ideológicos como o Black Lives Matter e disfarçou-o com os sorrisos bonitos de Jenner e com um público multirracial escolhido a dedo para a campanha. O clímax acontece quando, em pleno protesto, a modelo e celebridade oferece uma lata de Pepsi a um dos polícias, que a aceita e bebe satisfeito. A atitude da modelo foi alvo de muitos aplausos no anúncio, mas não tantos na vida real.

O problema? Forçar a resolução de problemas raciais e culturais com uma lata de Pepsi, enquanto se tenta encaixar à força uma Kendall Jenner lá pelo meio, sem qualquer tipo de opinião ou posição política. Hard move, Pepsi. Os consumidores estão a ficar mais atentos — e pode ser que as marcas aprendam a lição.

Marta Baptista, Copywriter

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