"A história nunca foi sobre Pablo Escobar, mas sim sobre o tráfico de droga, que ainda continua hoje." — diz o produtor executivo da série. Certo, mas como manter as pessoas interessadas depois da morte da personagem central de duas temporadas inteiras?

Acho que a curiosidade para ver como é que a série podia continuar motivou a maioria das pessoas, mas uma vez mais, a estratégia, muito inteligente, de social media da Netflix não falhou. 

Não tivémos grandes momentos de ativação como as notas com cocaína, as aulas de espanhol ou o live com um episódio leakado, mas já todos sabemos o que é Narcos, não é verdade? E com a terceira temporada, não se trata tanto de gerar awareness, mas sim introduzir uma nova história e novas personagens — a ascensão do Cartel de Cali.  

Sempre achei que a malta que gere as redes de Narcos era muito inteligente a utilizar formatos em sua vantagem. A página de Facebook usa o formato rei desta rede social, o vídeo, e prima pela utilização de gifs que são o pão nosso de cada dia na comunicação, na internet. Basta olhar para a caixa de comentários de qualquer post

Com os formatos certos afinados basta casá-los com os conteúdos corretos. A forma como passaram o foco para Cali, muitas vezes colocando-a em oposição superior à Medellín de Escobar, foi exemplar. Criaram conteúdos com curiosidades interessantes sobre a cidade e operação do cartel, juntaram-nas a textos com piada e começaram a contar-nos as histórias das personagens novas. Aposto que, como eu, muitos de vocês nem os conheciam.

Resultado? Quase se esquecem de Pablo Escobar. Eu não me lembrei dele uma única vez enquanto via a terceira temporada. Sim, já a vi de uma tirada só e sem a ajuda de uma nota. 

Tanya Figueira, Project Manager

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