Do impacto empresarial e social da Inteligência Artificial, de uma realidade empresarial que quer empregar robôs, e robôs que se tornam cidadãos da Arábia Saudita (vá-se saber), fica-me a pergunta. Máquinas que são cidadãos? Que têm deveres e direitos? A evolução é para onde?

Prendo-me também com um dos saltos pretendidos da Inteligência Artificial. A Empatia Artificial (como se a empatia pudesse ser artificial). Tornar robôs capazes de entender emoções humanas e agirem de acordo. Reconhecerem expressões humanas e adequarem respostas. Para além do impacto, que vejo com relevância, da automatização em áreas fabris, para mais produtividade das empresas, na redução de custos, na utilidade e segurança que podem conferir em algumas funções, podem dar o salto para uma das mais essenciais qualidades humanas? A empatia?

Temos chatbots ao serviço do atendimento ao público. A ameaça robótica para os call centers. Seremos atendidos por máquinas que nos dão respostas programadas. A artificialidade das interações poderá tomar conta dos serviços de atendimento de marcas?

A ameaça da automatização abrange também a área de conteúdos. Programas que escrevem conteúdos automáticos. Escrita de caracteres, à distância de um clique ou outro. Escolhe-se o tema, o número de caracteres e temos textos entregue em segundos. Prático, fácil e mais barato. Será que o futuro da escrita e dos conteúdos para marcas pertence à Inteligência Artificial?

Como se o copy ou a boa escrita de conteúdos se prendesse unicamente com o debitar de caracteres. Juntar um léxico de palavras, fazê-las ter sentido e estar pronto a ser apresentado a público. Como pode existir programação para o que é mais válido na boa escrita? Da comunicação de emoções, à criatividade, ao pensamento estratégico. A saber pensar como pensa a audiência, para que na escrita existam pontos em comum entre quem escreve e quem lê, que é o que faz o ponto de toque entre as marcas e as pessoas. A programação não pode ter empatia, paixão ou intuição pela escrita. Isso não se pode programar.

O espaço humano da imaginação, da empatia, da arte e da criatividade, ao serviço das empresas, das marcas e das pessoas, estão-nos reservados. A nós, humanos. Poderão as máquinas replicar? Mesmo que pudessem, de alguma forma, há sempre uma palavra-chave que ressalta. Artificial. E para as marcas, a artificialidade sai caro. Antes de tudo, as marcas querem-se autênticas. E isso, lê-se na escrita.

João Filipe Mateus, Copywriter

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