No Web Summit, as mulheres foram recebidas de uma maneira especial. Para além da oferta de 90% de desconto no bilhete, foi criado o espaço “Women in Tech Lounge” e o programa “Women In Tech Mentor” em parceria com o Booking.com que deu a oportunidade de ouvir algumas das mulheres mais inspiradoras na indústria da tecnologia bem como ter sessões individualizadas de mentoring.

É importante, principalmente neste tipo de eventos como o Web Summit, que tem a atenção de tantas empresas, haver a exposição e abertura para discutir diversidade na indústria da tecnologia.

Em várias empresas, a falta de diversidade de género é grande e por vezes prejudicial. Por exemplo, no lançamento da aplicação Health, a Apple foi alvo de bastantes críticas por ter ignorado um dos mais importantes aspectos da saúde de cerca de metade da população. Para uma aplicação que pretende acompanhar o estado de saúde pessoal e registar informações, como por exemplo a quantidade de ingestão de sódio, a frequência de uso de inalador ou até o conteúdo de álcool no sangue, as mulheres não perceberam porque não tinham forma de registar a sua menstruação (grande indicador de fertilidade e outros aspectos na saúde feminina).

“How can an app that promises to let you ‘see your whole health picture’ neglect to include one of the most important aspects of a woman’s health?” - Kashmir Hill, Jornalista

Mas esta discussão sobre a diversidade não se pode ficar pelo género. Tem de ser alargada e começar a incluir outras minorias, pois não faz sentido os homens brancos serem cerca de 10% da população mundial, mas representarem mais de 80% da comunidade tecnológica. Isto significa que 90% da população restante terá pouca representação e poder de decisão sobre os novos produtos e inovações.

As consequências disso são facilmente encontradas no quotidiano: há pessoas com tom de pele escura que não conseguem utilizar dispensadores de sabão, quando software de reconhecimento automático de imagens, como o do Google, identificam as suas fotos como contendo “macacos” ou “gorilas” e câmaras fotográficas, como a da Nikon, onde aparece a mensagem “Did someone blink?” em fotografias de asiáticos.

Diversidade não é apenas uma questão de "ser a coisa mais correta de se fazer", é uma questão de criar equipas mais fortes. Existem vários estudos que indicam que equipas mais diversificadas são equipas mais criativas, inovadoras e até produtivas.

"Diverse groups of people bring to organizations more and different ways of seeing a problem and, thus, faster/better ways of solving it." - Scott E. Page, Sociólogo e Professor de Sistemas Complexos, Ciência política e Economia na Universidade de Michigan

Equipas compostas por elementos de diferente género, demografia, cultura, experiências de vida e interesses, contribuem com mais pontos de vista e representam melhor os possíveis utilizadores dos seus produtos ou serviços.

A tecnologia é usada por todos, por isso deve ser um reflexo de todos. Diversidade é a melhor estratégia!

Marta Casal, UX Designer

Comment