Há mitos em todo o lado. Mitos sobre a História do nosso país. Mitos urbanos. Sim, vou continuar a rejeitar viagens de carro sozinha até Sintra à noite. E mitos da nossa vida. Não sejas teimoso, Bernardo, eu não estava lá quando contaram essa história.

Há mitos engraçados, mas há outros que, por ignorância ou ingenuidade, acabam por ser perigosos, especialmente quando os deixam circular sem contra-argumentos. Por exemplo, existem algumas falsas concepções sobre aquilo que é gerir uma marca nas redes sociais, muito devido à rapidez e facilidade com que estas passaram a fazer parte da nossa vida. Por isso, hoje, vou ocupar este maravilhoso espaço do nosso site para tentar debater alguns dos muitos que voam por aí.

Number one… Drums please:

#1
Qualquer pessoa com “conhecimentos na óptica do utilizador” pode gerir uma marca nas redes sociais.

Nós sabemos que, no início, tudo parecia mais fácil. Bastava atualizar o Facebook algumas vezes por semana, com fotos amadoras ou sem direitos no Google — na altura, talvez houvesse poucos que soubessem fazer melhor. Mas hoje isso não chega. Hoje a gestão de uma marca requer algum know-how (conhecer as tendências, saber utilizar os canais e perceber os públicos). 

Por esta razão, acaba por ser contraproducente entregar a gestão de redes sociais, que são a montra de uma marca, a uma equipa sem ter a certeza de que esta tem conhecimento e capacidade para definir uma estratégia alinhada com os objetivos da empresa e produzir material criativo de forma contínua para alimentar estes canais.

As marcas nunca foram tão públicas como hoje e isto deve ser interpretado simultaneamente como um risco e uma oportunidade. 

#2
As redes sociais SÓ servem para gerar notoriedade para a marca.

Sim, as redes sociais conseguem pôr a marca à frente de uma infinidade de utilizadores, mas não é só isso que conseguem fazer. 

Se uma página for gerida de forma estratégica ao longo do tempo, vai fazer crescer uma comunidade fiel ou, pelo menos, que se relaciona com a marca. Isto quer dizer que, ao olharmos apenas para as redes sociais como fim de conseguirmos visibilidade indiferenciada, estamos a perder um grande potencial de “target brand awareness”, quiçá uma galinha de ovos dourados para a nossa próxima campanha. É aqui que as redes sociais podem ganhar a outras ferramentas de comunicação mais massiva.

#3
As redes sociais são menos prioritárias que outras iniciativas de Marketing.

Vamos até concordar que, em alguns casos, a publicidade tradicional pode ser a melhor forma de sermos o centro das atenções no mercado. Mas isto não quer dizer que a presença da nossa marca em redes sociais possa ser descurada ou seja “menos prioritária” — ela destaca-se precisamente quando é integrada com os restantes esforços de marketing.

Por exemplo, quando uma marca investe numa relação com os seus seguidores, está a investir em muito mais do que numa partilha de vídeos ou imagens bonitas. Na verdade, estão a investir na construção de uma RELAÇÃO entre a comunidade e a marca, em que os utilizadores acabam por associar, de forma gradual, a marca a sensações positivas — seja por ter uma mensagem engraçada ou uma imagem que fale consigo.

Uma presença mais próxima, mais humana e muito mais "targetizada". Precisamos de dizer mais para se perceber que descurar as redes sociais numa estratégia de marketing é uma oportunidade falhada?

#4
É possível criar uma comunidade de seguidores de um dia para o outro.

A menos que tenhamos conseguido tempo de antena no Superbowl, a nossa comunidade não vai crescer exponencialmente em 24h. Uma comunidade real e fiel demora o seu tempo a ser angariada, seja em que rede for.

O primeiro passo é encontrar o público e conquistá-lo. Para isso, é preciso pensar no que temos para oferecer enquanto marca e aprender o que o nosso público gosta, pensando na melhor forma embrulhar o match em conteúdos originais. 

O segundo passo é criar uma relação verdadeira e duradoura com os nossos seguidores. E sabemos que estamos no bom caminho quando sentimos que conseguimos uma relação de win-win: ganhamos a atenção de público estratégico e conseguimos passar a nossa mensagem.

Claro está que nunca é demais relembrar a importância de começar cedo a pensar a estratégia para angariar esta comunidade. Construir uma presença sólida de uma marca nas redes sociais leva o seu tempo e conseguir que o nosso público-alvo nos encontre e reconheça valor também. 

Bem, e por hoje, é isto. Como tudo na internet, nem tudo o que parece é.

Carolina Ferreira, Social Media Manager

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