No passado fim de semana, dei por mim a falar com um amigo que se tornou recentemente vegetariano. Ele sempre soube das implicações e os maus tratos animais na indústria da carne, mas, ainda assim, tornar-se vegetariano era um objetivo distante. O verdadeiro push veio quando se apercebeu dos impactes ambientais de comer carne. Tratando-se de alguém que sempre adotou uma atitude environmentaly friendly, que sempre fez um esforço para ser energicamente eficiente, para reciclar e reduzir o desperdício, quando se apercebeu que comer carne era das piores coisas que podia fazer para o ambiente, sentiu-se um grande hipócrita.

E quando chegar a "carne limpa"? Aquela produzida em laboratórios?

A “carne limpa” não é uma alternativa à carne como os veggie burgers. É realmente carne animal, mas produzida em laboratório, através de células animais (estaminais), evitando todo o processo de criação e matança de um ser vivo. O processo passa por retirar um pequeno tecido do animal, filtram-no e isolam as células de que necessitam. Depois, são criadas as condições para que as células pensem que ainda se encontram no corpo do animal, replicando-se naturalmente.

O grande desafio vai ser criar a carne com o aspeto, sabor, textura e cheiro a que estamos habituados. Apesar de ser possível criar gordura, tecido e músculo, ainda está longe de ser possível criar um bife num laboratório. 

A percepção do público, que hoje pode ser de medo e desconfiança, dá ideia de que a carne criada em laboratório é algo irrealista e prejudicial na comida.

Para além disto, outro fator que deverá atrasar a chegada desta carne ao consumidor comum deve-se aos custos atuais de produção. Para a cultura das células, é fornecido um serum de sangue animal, e este serum é extremamente caro, bem como o produto final: o 1º hambúrguer criado em laboratório custou $330.000 (http://www.bbc.com/news/science-environment-23576143) a produzir.

Será que quem é hoje vegetariano poderá voltar a comer carne, uma vez que (em princípio) nenhum animal será maltratado ou mesmo morto para sua produção? A verdade é que se no futuro este processo de produção alimentar for bem sucedido, pode oferecer uma solução para os principais desafios da atualidade: responsabilidade ambiental, cuidados de saúde, bem-estar animal e distribuição mundial de recursos alimentares e naturais, como o aproveitamento de terreno, água e energia.

António Pinheiro, Digital Strategist

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