Os emojis são caracteres ilustrados originalmente associados à comunicação por texto via telemóvel no Japão. A palavra “emoji” deriva dos vocábulos japoneses 絵 (e ≅ ilustração/desenho) + 文字 (moji ≅ carácter escrito).

Emojis não deverão ser confundidos com emoticons (emotion + icons), que se restringe à utilização de caracteres de texto para construir grafismos, como por exemplo, a cara sorridente “:-)”, o olhar desapontado e desaprovador “-.-“, ou o clássico boneco feliz com boné a andar de skate “d:D|-<|:”.

Como funcionam os emojis?

Atualmente utilizados por todo o mundo, os emojis já fazem parte do dia-a-dia do mundo digital. Porém, há que notar que, tal como a forma da letra “A” varia de acordo com o tipo de letra utilizado, também o grafismo de cada emoji pode variar de acordo com a plataforma ou dispositivo em que está a ser representado.

Isto acontece porque, na verdade, cada emoji corresponde a uma sequência de números, pelo que cabe a cada plataforma ou dispositivo determinar o grafismo correspondente a essa sequência

O Unicode Consortium, organização sem fins lucrativos, é o atual standard no que toca ao método de codificação de caracteres, sejam emojis ou simplesmente letras, algarismos ou sinais de pontuação. O seu trabalho passa por providenciar uma “cifra” que transforma código (interpretado pelo computador) em símbolos (interpretados por humanos). Como membros do Consórcio, encontramos as principais empresas de computadores com ligações ao processamento de texto, como a Apple, Facebook, Google, Huawei, Microsoft, Yahoo!, entre outras.

Interpretação visual de emojis

Apesar de o Unicode Consortium ter conseguido estandardizar o significado associado a cada código Unicode, a verdade é que qualquer pessoa está livre de criar a sua interpretação gráfica deste significado.

Um dos exemplos mais debatidos nos últimos tempos é o emoji do hamburger. Apesar de se entender que aquele código se deve traduzir numa ilustração de um hamburger, as interpretações divergentes dos principais membros do Unicode Consortium no que toca à ordem dos ingredientes geraram polémica.

O debate começou com um tweet do utilizador dinamarquês @baekdal, que reparou que o emoji de hamburger da Google posiciona o queijo por baixo da carne, enquanto que a Apple o coloca por cima. Entretanto, a discussão acabou por incluir também o posicionamento da alface e do tomate, não só nos emojis da Apple e da Google, mas também da Microsoft, Samsung, Facebook e Twitter, entre outros. Este mesmo debate levou a que algumas plataformas revissem e alterassem a sua representação do emoji de hamburger, como foi o caso do Facebook.

Apesar de se tratar, em grande parte, de uma piada (dada a importância relativamente negligenciável da ordem dos ingredientes num hamburger desenhado), este debate levantou uma questão bem mais pertinente, sobretudo para digital copywriters, que é “como é que X emoji vai aparecer nas diferentes plataformas e dispositivos?”

Emojipedia

Para todas as questões relacionadas com emojis, não há melhor do que a Emojipedia.

Esta é uma verdadeira enciclopédia dos emojis. Apesar de não estar oficialmente associada ao Unicode Consortium, nem a nenhum dos seus membros, a Emojipedia agrega todas as ilustrações possíveis de cada emoji.

A título de exemplo, se pretendermos colocar um emoji num post de Facebook, basta procurar pelo emoji na Emojipedia e previsualizá-lo na plataforma que nos interessa.

Se o post for para Instagram, por exemplo, que não tem uma interpretação própria dos emojis e depende da leitura do dispositivo, podem surgir alguns problemas. No caso do emoji 💃 “Woman Dancing”, como se pode ver na imagem abaixo, a ilustração em Android 5.0 mostra uma figura unissexo e, mais importante ainda, nas versões 4.4 e 4.3, mostra um homem.

Como tal, recomendaria que este emoji não seja utilizado no Instagram, sob risco de ser mal interpretado por alguns utilizadores Android.

Também pode acontecer escrevermos um emoji que não é reconhecido por alguma das plataformas ou dispositivos. Por exemplo, o 🧐 “Face With Monocle” só foi introduzido com o iOS 11.1 e, como tal, não consta na maioria dos “dicionários” de emojis. Nos casos em que o emoji não é reconhecido, aparece como um símbolo �, □ou semelhante.

É importante lembrarmo-nos de que, apesar de os emojis nos ajudarem a transmitir sentimentos e a diminuir o número de caracteres num copy (estou a olhar para ti, Twitter), são praticamente um novo idioma, visto que também contam com interpretações divergentes e más traduções, existem vários dicionários dedicados a eles, e há pessoas mais fluentes na sua utilização do que outras.

Neste sentido, espero ter contribuído para um melhor entendimento deste novo “idioma”, que ainda há de passar por mais mudanças e momentos marcantes no mundo digital.

Nuno Antunes, Social Media Manager

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