Tenho de admitir, reneguei durante muito tempo o meu passado musical. Era uma questão não só de gosto mas também de atitude: queria seguir a senda alternativa. Pearl Jam não se coadunava com as minhas pretensões. Tinha de ler Proust e ouvir os The Smiths. Foi o que fiz.
A obra Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust, é baseada nas memórias do autor que li com o maior ardor enquanto as minhas me passavam ao lado. E os The Smiths tornaram-se ironicamente a minha banda favorita com letras como ”But don't forget the songs/ That made you smile/And the songs that made you cry”.
Não sei quando me apercebi de que o que pensava era um erro. Mas lembro-me de ouvir o Pedro Rolo Duarte referir – num programa de rádio – que gostava de um disco de Carly Simon porque o ouvia com a irmã quando eram miúdos.
Não me interpretem mal, o escritor de que mais gosto é o Proust e o álbum que levaria para uma ilha deserta seria dos The Smiths. Mas, agora, já nem sei se é por uma questão de gosto ou de memória.
Duas pessoas da empresa perguntaram-me se ia ver Pearl Jam a um festival. Não, não vou. Mas fico feliz por saber que elas vão.
Os Pearl Jam tocam dia 14 de Julho no Nos Alive.
Ricardo Rosa, Copywriter