Antes de qualquer encomenda chegar ao seu destino final, há curvas nas estrada, pneus desgastados, aviões em atraso e, às vezes, moradas erradas. Antes de um website ganhar vida, há orçamentos, escolha de prioridades, recursos humanos, tecnologias, reuniões e, às vezes, faltas de comunicação.

Neste acordar do mundo para o design centrado nos utilizadores, é fácil perder o foco na experiência do próprio processo de design que antecede o produto final. Neste caso, no design co-centrado nos clientes.

Neste sentido, um processo de design e desenvolvimento de um website pode assemelhar-se a qualquer coisa como:

1. Investigar e propôr arquitetura do website;

2. Validar arquitetura com o cliente;

2.1 Alterar de acordo com feedback;


3. Definir layouts para os diferentes tipos de página;

4. Desenhar os layouts;

5. Validar o design dos layouts com o cliente;

5.1 Alterar de acordo com feedback;

6. Desenvolver HTML, CSS e javascript de acordo com os layouts desenhados;

7. Implementar as páginas com a estrutura de gestão de conteúdos para o frontend construído;

8. Definir os conteúdo do site;

9. Validar os conteúdos com o cliente;

9.1. Alterar de acordo com feedback;


10. Validar o funcionamento do interface do site e da gestão de conteúdos com o cliente.

10.1 Alterar de acordo com feedback.

Alterações da arquitetura do site no ponto 2.1, à partida não afetam o planeamento e recursos das equipas de design, desenvolvimento e conteúdos. No entanto, alterações de funcionalidades no ponto 10.1 podem comprometer o planeamento e recursos de todas as equipas. O esquema acima mostra que a validação dos pontos 6 e 7 apenas acontecem no ponto 10.

Como podemos antecipar o feedback do cliente de forma a minimizar as alterações no ponto 10.1? Em geral, podemos aumentar o número de validações com o cliente, tornando o processo mais ágil, mais apto a acomodar desvios e alterações.

Por exemplo, acrescentando os seguintes passos:

3. Definir layouts para os diferentes tipos de página;

3.1 Criar protótipos de baixa fidelidade que demonstrem a funcionalidade proposta nos layouts visuais;

3.2 Validar a funcionalidade com o cliente;

6. Desenvolver HTML, CSS e javascript de acordo com os layouts desenhados;

6.1 Validar a interação e funcionamento dos layouts com o cliente;

7.0. Definir layouts para os diferentes tipos de páginas de gestão de conteúdo;

7.0.1 Criar protótipos de baixa fidelidade que demonstrem a funcionalidade do gestor de conteúdos;

7.0.2 Validar a funcionalidade com o cliente;

7. Implementar as páginas com a estrutura de gestão de conteúdos para o frontend construído;

7.1 Validar a interação e funcionamento do gestor de conteúdos do site;

Em particular, os passos 3.2 e 7.0.2 visam gerir a expectativa e antecipação para o confronto com as funcionalidades dos pontos 6.1 e 7.1, respetivamente. No seu conjunto, estes passos visam gerir a expectativa e antecipação para o confronto com o ponto 10.

Porque não fazemos uso destes passos extra mais vezes?

A validação contínua e acompanhada dos vários passos de design e desenvolvimento, conhecido em alguns casos como metodologia agile, nem sempre é fácil ou desejável. Talvez se torne ainda mais difícil quando se trabalha para outrém.

Este acompanhamento implica uma entrega e participação constante por parte do cliente e respetivos stakeholders. Em projetos complexos, com vários stakeholders, é difícil conjugar agendas e prioridades para decisões ágeis — rápidas e seguras, isentas de processos longos e burocráticos.

Além disto, a análise precoce de problemas e consequente desenvolvimento de melhorias, poderia fazer com que se ultrapassasse o orçamento inicial.

No entanto, se alguns destes desafios puderem ser ultrapassados, isto pode significar uma maior eficiência no trabalho e, possivelmente, na poupança orçamental.

Resta-nos a nós, trabalhadores no mundo de agências digitais, tomarmos atenção ao processo de trabalho para e com o cliente e tentar contribuir para este processo, uma tecla de cada vez.

Guilherme Moura, UX Design & Strategy

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