Não é que aqueles vídeos de cães a proteger bebés não sejam amorosos. E que as imagens de pores de sol com aquelas frases carregadinhas de significado sobre o sentido da vida não tenham muito valor… E aquela música do Roberto Carlos — bom, também não é preciso ir tão longe. Já perceberam não é? Tenho aqui uma coisa para resolver: pais e tios nas redes sociais.

Muito me orgulha que o meu pai — nascido a 1956 — tenha decidido depois dos 50 enfrentar os computadores e esforçar-se para entender a internet. Até aqui tudo muito bem. Mas esta questão de abrir uma conta no Facebook… Isso é que já é um mundo novo cheio de perigosas possibilidades. E as que mais me assustam são os vídeos do Roberto Carlos no meu mural. Se forem procurar e não encontrarem, é sinal de que não são o meu pai (pois, ocultei-os todos).

As minhas tentativas de criar metáforas para explicar como funcionam as redes sociais só me provaram uma coisa: temos linguagens diferentes e não querer que o meu pai partilhe coisas no meu mural (e com os meus 800 amigos) vai sempre significar para ele que não é o meu melhor amigo e que não é um jovem prá frentex.

E daqui a 20 anos cá estaremos, eu a fazer o meu papel de cair no ridículo em plataformas/meios/linguagens que não vou entender e os meus filhos a fazerem piadas sobre isso com os amigos. Como o meu pai me diz, “P’ra lá caminhas”.

Joana Mateus, Designer

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