Corria o ano de 2005, teria eu uns 14 anos, quando me inscrevi no hi5. Tinha acabado de mudar de casa e finalmente tinha um computador com internet que podia usar. Comecei por conhecer o mIRC, mas rapidamente todos os meus amigos se concentraram no hi5 e foi para lá que eu fui também. Falava com colegas de escola e conhecia novas pessoas: foi no hi5 que tive as minhas primeiras paixões e onde fiz alguns amigos para a vida. Mas chegou o ano de 2009 e, com ele, o falecimento do hi5, pelo menos na minha vida. Foi nesse ano que me inscrevi no Facebook e por lá fiquei até hoje.

O hi5 ficou esquecido algures num passado bem longínquo, perdi os acessos e nunca mais os quis recuperar. Até hoje. Entrei no hi5 para tentar perceber como a rede social se tinha adaptado ao século XXI e não foi nada bonito de ver. Não consegui recuperar a minha conta e ainda bem, que há coisas que estão bem é enterradas no passado. Mas criei uma nova — que será apagada ainda antes de acabar este artigo, e apercebi-me de que não percebo nada deste novo hi5, está confuso, muito diferente e parece uma espécie de Tinder do século passado. Aparecem-me várias pessoas que eu “devo conhecer” e outras tantas a que chamam de “pets” e que eu “devo comprar” (?!). Durante os cinco minutos que estive estupefacta a olhar para a página surgiram várias notificações (que, juro, parecem aqueles pop-ups duvidosos) a dizer que fui comprada pela Paola e pela (pelo?) Sweetheart e que o João S. e o Rui P. estão à espera para me conhecer. E de repente parece que estou na Casa dos Segredos. Só me apetece fugir.

O hi5 de 2005 era um lugar simpático e acolhedor para adolescentes que tinham acabado de conhecer a Internet e queriam explorar o mundo. O hi5 de 2018 é um lugar assustador onde eu não pretendo voltar.

Marisa Comprido, Copywriter

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